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O despertar para uma vida longeva

Envelhecer é um processo complexo e exige boas atitudes para se garantir mais estabilidade e conforto na terceira idade


Envelhecer é um processo complexo e exige boas atitudes para se garantir mais estabilidade e conforto na terceira idade. Para debater o tema e ampliar o olhar sobre o assunto, a Bradesco Seguros realizou, na última quarta-feira (10), o evento “Diálogos da Longevidade – O Despertar para a Vida Longeva”.


Para envelhecer bem, quatro capitais são essenciais: saúde, conhecimento, social e financeiro. “Quanto mais cedo você acumular esses capitais, melhor”, disse Alexandre Kalache, médico, gerontólogo, presidente do Centro Internacional de Longevidade-Brasil (ILC-Brasil) e consultor em Longevidade do Grupo Bradesco Seguros.


Junto com esses capitais, é preciso ter um propósito, saber o porquê você acordou e que diferença está fazendo. A partir disso, será possível criar resiliência para suportar e crescer com as barreiras impostas pela vida. “Com uma vida mais longeva, a gente vai ter mais desafios e perdas”, lembrou.


A pergunta é: estamos realmente preparados para envelhecer bem? Enquanto a França levou 145 anos para dobrar a proporção de idosos de 10% para 20%, o Brasil levará apenas 19 anos para seguir o mesmo caminho. O fato é que os países desenvolvidos, onde se tem emprego, transporte, trabalho digno, moradia e saúde pública, enriqueceram antes de envelhecer. “Estamos na contramão”, declarou Kalache, citando ainda a desigualdade social. Além de ser uma preocupação entre acadêmicos e organizações intergovernamentais, prevenir o envelhecimento desigual é uma questão importante não só para as pessoas que já envelheceram, mas também para quem está envelhecendo.


“Precisamos pensar no gerúndio”, alertou Kalache, que manifestou indignação sobre o assunto estar fora da pauta dos candidatos nas eleições deste ano. “Não vi ninguém falando sobre isso. No Canadá, por exemplo, este assunto é discutido por políticos de todos os partidos. Precisamos abrir os olhos para nos preparar. O futuro é de vocês, mais jovens hoje e envelhecidos amanhã”, declarou.


Os jovens e a saúde da longevidade

A questão da saúde da longevidade não é a preocupação imediata do jovem, que tem uma noção limitada de tempo, espaço e existência. “As experiências são curtas. É o começo da vida, ele não tem muita dimensão do longo prazo”, justificou Jairo Bouer, médico psiquiatra focado em prevenção, saúde e sexualidade. Junto com a cultura do imediatismo, esses fatores fazem com que a perspectiva de longo prazo seja um assunto complexo de ser trabalhado com este público. “O prevenir é muito mais complexo do que o remediar, do que tentar resolver alguma situação”, garantiu.


Para os jovens de hoje, a imagem é muito mais importante do que a preocupação com a própria saúde. Prova disso é que entre essa geração há um aumento brutal na quantidade de transtornos emocionais, principalmente entre as meninas mais novas.


“É uma geração que tem fácil acesso a informação, mas que a comunicação é muito mais horizontal. Há uma dificuldade de enxergar a figura da autoridade, de ouvir o que o médico ou os pais têm a dizer. Isso muitas vezes dificulta a realização de uma campanha de prevenção, um programa, um trabalho com eles nessa questão da saúde ou do investimento em saúde de uma forma um pouco mais assertiva”, afirmou.