Tecnologia, a palavra mais dita por executivos de seguros neste ano



Tecnologia. Esse é praticamente o oxigênio dos executivos de seguros neste ano e certamente nos próximos. A palavra é mais pronunciada do que “bom dia”. E tem sua razão de ser. O estudo “Insurance as a Living Business” da Accenture divulgado neste ano afirma que as seguradoras que transformam seus negócios e modelos operacionais podem obter US$ 375 bilhões em novas receitas. Para o Brasil, que tem registrado queda nas vendas se considerarmos o crescimento real, descontada a inflação, uma afirmação dessa faz pelo menos todos devorarem o conteúdo do estudo.


“A indústria de seguros, tal como a conhecemos hoje, está à beira de um ambiente de negócios totalmente novo”, Hugo Assis, líder da prática de Seguros na Accenture para América Latina. “Separar-se da manada e capturar novas oportunidades de receita exige uma mudança na visão de negócios – do foco no produto para o foco no cliente; de modelos operacionais rígidos para modelos mais fluidos e ágeis que respondam rapidamente às preferências dos clientes; e de atuar sozinho no mercado para parcerias com insurtechs e gigantes tecnológicos que podem ajudar na exploração de novos segmentos de clientes e no fortalecimento de suas marcas”.


Veja abaixo a entrevista concedida ao blog Sonho Seguro:


O que o estudo recomenda?


Uma série de passos que as seguradoras podem tomar para ampliar suas oportunidades de crescimento. Dentre esses passos estão o desenvolvimento de uma estratégia digital que abranja novos modelos e tecnologias para a empresa como um todo – incluindo inteligência artificial, blockchain, contratos inteligentes e a internet das coisas (IoT) – para que possa oferecer serviços mais personalizados e rápidos, além de tirar o máximo proveito das informações de seus clientes, o seu bem mais precioso, para maior customização de suas ofertas.

Quais as principais áreas para crescimento de receitas?


As seguradoras podem acessar segmentos de difícil alcance, como microsseguros ou emissão imediata de seguros de vida, para aumentar a sua participação no mercado de forma eficiente. Isso poderia gerar US$ 144 bilhões em novas receitas. Também devem desenvolver novas ofertas para riscos emergentes, como seguros para ataques cibernéticos e novas exposições por conta do surgimento dos veículos autônomos. Isso poderia gerar US$ 111 bilhões em novas receitas.





Como fica a relação com insurtechs?


As relações com as insurtechs e empresas de outros setores podem oferecer às seguradoras a oportunidade de se engajarem com os clientes de forma diferente e descobrir novas fontes de valor. Isso inclui a entrada das seguradoras em ecossistemas existentes e operados por plataformas online como Google, Amazon, Facebook e Apple para que possam se conectar com clientes que já usam essas plataformas, incluindo os assistentes virtuais. Esta abordagem poderia gerar US$ 80 bilhões em novas receitas. De acordo com o estudo, três quartos (76%) das novas receitas nas linhas de seguros gerais e acidentes provavelmente virão desses relacionamentos pouco tradicionais.


E com as plataformas e modelos de dados?


As seguradoras podem oferecer seus ativos – dados, análises de clientes, plataformas e modelos de serviços, algoritmos de riscos, etc. – para parceiros que poderiam se beneficiar com eles. Isso poderia gerar US$ 28 bilhões em novas receitas.


Acredita que as seguradoras vão priorizar investimentos em serviços?


Sim, serviços de valor agregado. As seguradoras devem focar os serviços personalizados que ajudam a reduzir os riscos do cliente, como o uso de wearables que ajudam pessoas idosas a ficarem em casa por mais tempo, além da venda e gestão de dispositivos conectados para o lar. Isso poderia gerar US$ 12 bilhões em novas receitas.


Como aumentar o lucro se o investimento em tecnologia tem custo elevado?


A manutenção do padrão atual de negócios não é sustentável. Os lucros e receitas das seguradoras estão sendo pressionados pelo crescimento das insurtechs e da presença cada vez maior de empresas de tecnologia com fortes relacionamentos personalizados com seus clientes. A inovação – para além de agregadores e distribuidores online – precisa ser uma prioridade para o setor. As operadoras que fizerem as mudanças certas nos seus negócios, compreenderem seus clientes e responderem rapidamente e sem medo às suas demandas com ofertas relevantes e inovadoras terão maiores possibilidades de aumentar sua participação de mercado e capitalizar com as oportunidades emergentes.


Como avalia a evolução das seguradoras em 2018?


O mercado segurador carrega pesados históricos de sistemas legados, fusões & aquisições complexas, entre outros fatores que vêm dificultando a velocidade da transformação digital na indústria de seguros. É preciso acelerar a inserção de novas capacidades dentro dos modelos atuais de negócio e tecnologia, criando disrupção e bons resultados, sem a necessidade de mudanças complexas, evoluindo em modelo ágil até atingir a transformação necessária. O sucesso desse movimento, como já experimentado em outros mercados não ligados a seguros, está no tempo. Em outras palavras: sair na frente faz diferença. O que pode fazer a indústria de seguros avançar mais rapidamente é trazer capacidades externas, e não apenas tentar desenvolver internamente os ativos necessários para ser protagonista nesse novo cenário digital. E o principal motivo é simples: a tendência que baseia toda essa transformação que estamos vivendo vem de fora para dentro, em um modelo de inovação aberta. Então, sem ajuda especializada, é mais complexo encontrar as capacidades de pessoas, tecnologias, gestão, entre outros.


Quais as prioridades em tecnologia que as seguradoras deveriam elencar para 2019?


Com o movimento cada vez mais intenso do empoderamento do cliente, as seguradoras devem priorizar a inteligência em ofertar de maneira customizada e no momento certo, somado a dinâmica inteligente de preços. Além disso, aproveitar a facilidade de informação disponível e incluir as opiniões de usuários, para melhorar a jornada assistida do cliente para compra. O mercado de varejo on-line no Brasil, por exemplo, já está nesse momento, e continua a evoluir digitalmente as oportunidades no ciclo de vida do cliente.


O que mais destacaria neste estudo para o mercado brasileiro?


As mudanças na indústria de seguros ainda estão ocorrendo de forma linear no Brasil, apesar dos principais participantes já terem optado por começar a testar o que é novo. Mas não podemos esquecer que o comportamento do consumidor vai mudar de maneira exponencial na relação com os Seguros, e vai exigir das seguradoras velocidade para acompanhar a demanda.

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