Vida ressignificada


Luiz Philipe Baeta Neves, Presidente da Aconseg-RJ e Baeta Assessoria, economista e Corretor de Seguros.


Estamos passando por um momento grave, que nem a mais perspicaz das mentes jamais poderia imaginar uma catástrofe de tal magnitude a nível mundial.


Toda economia do planeta sofreu abalo de grandes proporções que vai repercutir integralmente na performance da economia global pelos próximos anos.


Os impactos no mercado segurador nacional também serão significativos em virtude da perda de renda da população, da incerteza do momento e do futuro e da alteração dos hábitos e costumes da sociedade.


Os números da produção de março e abril de 2020 já demonstram claramente essa tendência de desaceleração do setor.


Acredito que as seguradoras já estão atentas à criação de novos produtos e na utilização de ferramentas tecnológicas que possam atender às necessidades dessa nova configuração da sociedade que irá surgir. Se existe uma certeza neste turbilhão de insegurança é que após o advento do COVID-19, nada mais será como antes.


Ainda assim, com 37 anos de mercado securitário, eu tenho uma visão otimista do nosso futuro. A atividade seguradora é fundamental para sociedade, qualquer que seja o formato, hábitos, comportamentos, condutas que sejam adotadas na nova configuração social daqui por diante.


Estamos tendo queda da produção, mas o cenário pós-pandemia também trará uma menor sinistralidade para várias carteiras. Outras carteiras, como Saúde e Vida, por exemplo, vão ganhar uma importância extraordinária para sociedade e, certamente, num ambiente estabilizado, farão parte do novo planejamento financeiro das famílias.


Em entrevista á CNN, o filósofo e historiador Leandro Karnal analisou como será a vida depois que o surto da COVID-19 for controlado. Segundo ele, “três fatores aceleram a história: guerra, revolução e epidemia. Tudo muda rapidamente. Há uma grande explosão de vida após um período de reclusão e morte. É o caso do Renascimento - movimento artístico, cultural e científico deflagrado logo após a Peste Bubónica. A tendência histórica é ocorrer uma grande euforia e felicidade após epidemias e guerras”, relatou acrescentando:


“A educação, por exemplo, será um dos setores mais impactados. “A tendência é a escola perder o fetiche da presença com hora marcada. Mas continuará precisando de bons professores, que preparem bons materiais e desenvolvam uma habilidade para qual não foram treinados, como virarem youtubers”.


Pouco sabemos sobre o “novo normal”, mas é fato que ele irá recuperar valores aparentemente esquecidos pela nossa sociedade, tais como, empatia, solidariedade e humanidade. Todos serão revigorados e essenciais para a vida em sociedade na nova ordem planetária que irá surgir. Precisaremos nos aperfeiçoar para construirmos um mundo melhor.


Eu também torço e acredito piamente no esforço e empenho dos pesquisadores, médicos e cientistas dos diversos países que trabalham neste momento na produção de uma vacina para que, no mais curto espaço de tempo possível, vidas sejam salvas e a economia possa ser retomada.


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Luiz Philipe Baeta Neves, Presidente da Aconseg-RJ e Baeta Assessoria, economista e Corretor de Seguros.

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