
Começou nesta 6ª feira (13) e prosseguirá no sábado (14) o 6º Congresso dos Corretores de Seguros do Norte e do Nordeste (6º ConsegNNE), que está sendo realizado no Centro de Convenções de Salvador.
Com auditório lotado, o evento teve como primeira atração a palestra motivacional apresentada pela jornalista Renata Ceribelli, que falou sobre “Longevidade e Intergeracionalidade”.
A palestrante usou sua empatia e extrema simpatia para manter a palestra atenta ao relato sobre qualidade de vida na terceira idade. No final, várias pessoas fizeram perguntas, relataram experiências pessoais e pediram para fazer selfies com a palestrante.
Logo depois, foi anunciado o primeiro ganhador dos três Renault Kwid que serão sorteados durante o Congresso. A agraciada foi a Corretora de Seguros Elza Gaspar, do Rio de Janeiro.
Na abertura oficial do 6º ConsegNNE, o presidente do Sincor-BA, Josimar Antunes – anfitrião do evento – destacou a relevância do papel exercido pelo Corretor de Seguros. “Este congresso não é apenas um evento técnico. É, acima de tudo, um encontro de propósito. É o momento em que reafirmamos o valor do Corretor de Seguros como agente de confiança, como educador financeiro da população e como pilar fundamental da sustentabilidade do mercado. O corretor de seguros não vende apenas apólices. ele constrói relações, traduz riscos em soluções e transforma incertezas em proteção”, pontuou.
Por sua vez, o presidente da Escola de Negócios e Seguros (ENS), Lucas Vergilio, anunciou que a instituição trouxe uma grande novidade para o evento, que pode representar um salto de qualidade para os Corretores de Seguros. “Instalada aqui na feira de negócios, a ENS TechVillage será uma experiência imersiva voltada à conexão entre tecnologia, educação e aplicação prática. A iniciativa resulta de parceria da instituição com a SOSA, empresa israelense de inovação com atuação global e forte presença no desenvolvimento de soluções para o mercado de seguros”, acentuou, acrescentando que, no espaço, quatro empresas apresentarão ferramentas tecnológicas que poderão ser testadas pelos Corretores de Seguros, com foco na incorporação dessas soluções às jornadas de captação, vendas e pós-venda.
Já o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Dyogo Oliveira, fez uma breve saudação aos presentes, ressalvando a importância do Corretor de Seguros. “O mercado de seguros só cresce quando o Corretor de Seguros cresce”, enfatizou.
No mesmo tom, o superintendente da Susep, Alessandro Octaviani, frisou que é preciso transformar a cultura do seguro no Brasil. “O objetivo deste encontro é pensar o seguro. Precisamos dar um salto no conhecimento do seguro. Porque o Brasil com mais seguro é um país mais desenvolvido”, afirmou.
Em seguida, o presidente da Fenacor, Armando Vergilio, manifestou a certeza de que a perfeita sinergia entre as entidades do setor é vital para o crescimento do mercado de seguros. Ele classificou o 6º ConsegNNe como um evento “diferente” e de extrema relevância. “O evento terá 67 painéis com mais de 80 painelistas e palestrantes. Além disso, haverá 11 salas de negócios com palestras simultâneas. Todos os temas de importância para o mercado estarão sendo discutidos aqui”, assegurou Vergilio.
O presidente da Fenacor revelou ainda que a federação irá realizar em maio uma edição do “Conexão Futuro Seguro”, na qual será anunciado o Plano Diretor do Mercado de Intermediação em Seguros (PDMIS), que está em fase de elaboração.
Ele voltou a defender também a urgência na regulamentação das leis que tratam da autorregulação na Corretagem de Seguros. “Há 16 anos aguardamos por essa regulamentação, que trará mais proteção, garantias e segurança para o consumidor”, sublinhou Vergilio.
Por fim, ele fez um alerta sobre os riscos que a concentração de dados de segurados em uma única empresa pode trazer para todo o mercado, referindo-se à venda da Dimensa, uma fintech brasileira focada em tecnologia para o mercado financeiro, para a empresa porto-riquenha Evertec, anunciada no início de fevereiro de 2026. O acordo ainda depende de aprovação do CADE. “Se for aprovado, o nível de exposição predatória dos dados dos segurados será muito grave. A Fenacor não aceita isso. A Federação vai agir, recorrendo ao CADE, à Justiça e ao Congresso Nacional. Já enviamos também ofício à Susep. Essa venda não pode ser aprovada”, assinalou Armando Vergilio, que sugeriu a união entre as entidades do setor. “Temos que buscar, juntos, uma solução institucional”, conclamou.
PAINEL
No painel seguinte, foi abordado o tema “Impactos da Nova Legislação”. A mediação foi feita por Lucas Vergilio, que lembrou o fato de ter sido autor do projeto que deu origem à Lei Complementar 213/25, que criou o marco regulatório para cooperativas de seguro e associações de proteção patrimonial mutualista no Brasil.
Nesse painel, o superintendente da Susep pontuou que a Lei 15.040/24 – conhecida como Marco Legal do Seguro - é o “código”, que reordena o setor. Já sobre a Lei Complementar 213/25, comentou que traz novos entrantes no mercado, mas também estabelece um processo sancionador que que todos “trabalhem corretamente”.
Segundo Octaviani, a Susep vai regulamentar apenas o que for “necessário”, mas assegurou que o mercado sempre será ouvido. “Na consulta pública sobre seguro de RC para transportadores de cargas, recebemos mais de 700 sugestões. Já no caso da regulamentação da Lei 213/25 foram 2 mil. E nós sempre respondemos a todos”, frisou.
O painel contou ainda com a participação da gerente Geral da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), Clara Pedroso, segundo a qual a legislação que trata do setor “não saiu como gostaríamos, mas foi a melhor possível”.
Ela acentuou ainda que as cooperativas estão a postos para ajudar o mercado de seguros “ser ainda mais pujante”.
O presidente da CNseg também tratou com otimismo a chegada das cooperativas ao mercado. “Há complementariedade nos nossos mercados”, resumiu Dyogo Oliveira.
Contudo, ele demonstrou preocupação quanto às associações de proteção veicular. “Eles tentam se organizar, mas há uma pluralidade de modos de fazer negócios. Isso gera preocupação. Mas, a lei é equilibrada. Era impossível concorrer com quem não pagava impostos nem seguia qualquer regulamentação”, salientou.